Gi Monteiro estreia solo no stand da Cave na ArPa, em São Paulo. Com curadoria de Lucas Dilacerda, o projeto “Semeadura” apresenta pinturas, desenhos e esculturas que discutem o escuro como lugar de liberdade para corpos negros e trans.

A Cave apresenta, na ArPa, o solo da artista trans e negra Gi Monteiro. Intitulado “Semeadura”, o projeto tem curadoria de Lucas Dilacerda e reúne pinturas, desenhos e esculturas, que discutem o escuro como lugar de liberdade para corpos negros e trans.

Realizada em São Paulo, a ArPa se tornou uma das principais plataformas de circulação da arte contemporânea no país, e a participação da Cave com um stand monográfico reforça sua atuação no fomento a trajetórias que tensionam o sistema da arte e ampliam seus imaginários. No caso de Gi Monteiro, trata-se de uma prática que articula abstração e política a partir de uma experiência situada: travesti, negra, nordestina e periférica, a artista constrói uma obra que reivindica o direito ao invisível, ao mistério e à opacidade.

Obra de Gi Monteiro

Em tempos de disputa por representatividade, a artista opta pela abstração. Em tempos de luta por visibilidade, a artista escolhe o escuro. A poética da artista acontece como uma recusa às armadilhas do neoliberalismo contemporâneo, e uma crítica aos regimes de luz e transparência que foram o fundamento da colonização e do iluminismo moderno, bem como dos sistemas de vigilância digital. Diante desse contexto, as obras de Gi Monteiro emergem como um convite a percebermos a vida secreta que pulsa no escuro.” —Lucas Dilacerda

Gi Monteiro investiga o escuro como lugar de liberdade. Foi no escuro da noite que negros escravizados fugiram em busca de sua liberdade. Também foi no escuro da noite que pessoas LGBTQIAPN+ encontraram um espaço seguro para expressarem seus afetos e, infelizmente, é até hoje o único lugar que muitas travestis conseguem uma oportunidade de trabalho.

Semeadura” apresenta a pesquisa de Gi dividida em três séries: 1. Os desenhos recortados intitulados de “Nevoeiros”; 2. As pinturas chamadas de “Sementes”; e 3. Os tecidos com palha nomeados de “Viveiros lunares”. Linhas, manchas e camadas constroem imagens instáveis, que não se fixam na retina, mas se desfazem no olhar, como fenômenos atmosféricos. Esse gesto se aprofunda na série “Nevoeiros”, onde nuvens, vapores e formações difusas evocam estados de transição, deslocamento e liberdade imagens sem contorno fixo, migrantes e indomáveis.

Assim como os processos de transição de gênero e de insubmissão negra, minha prática se constrói no próprio fazer, na insistência que afirma a vida como movimento. A abstração opera como esse território instável e em formação.” —Gi Monteiro

Ela se contrapõe à tradição moderna que associa luz à razão e ao controle. Em sua obra, é na sombra que se criam rotas de fuga, refúgios e possibilidades de existência para corpos historicamente marginalizados. Como na floração do mandacaru, que só acontece à noite, suas imagens apontam para uma poética da germinação: aquilo que nasce na invisibilidade, mas carrega em si a força da transformação.

Gi Monteiro

Serviço: Gi Monteiro apresenta “Semeadura” com curadoria de Lucas Dilacerda, no Stand U1 da Cave na ArPa – SP, de 27 a 31 de maio de 2026, na Mercado Livre Arena Pacaembu, em São Paulo.

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Publicado por:Philos

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